Inibição, sintoma e angústia:
na psicanálise e na cultura

Oliveira - 2026
16 a 18 de julho



Fotografia de Isaac Ioseph

Sobre o Fórum Mineiro de Psicanálise

O Fórum Mineiro de Psicanálise, desde sua origem em 1996, tem como objetivo construir espaços de interlocução, além das fronteiras institucionais, em torno das questões relevantes para os psicanalistas e interessados na Psicanálise.

O funcionamento do Fórum possui características semelhantes às de um Cartel. O Fórum, assim como o Cartel é uma experiência! Aquilo que se apreende da teoria se experimenta de modo vivo, uma vez que, o “algo de seu”, de cada um, se faz presente, se entrelaça e se  faz nó. Nó borromeano, um laço, não sem buraco, cuja condição de existência é a singularidade de cada instância.

É este modo de operar que diferencia o Fórum de outros coletivos de trabalho que, por um lado, se conectam a partir da identificação a um modo de gozo, e por outro, não conseguem sustentar um trabalho quando, inevitavelmente, as diferenças surgem. Ousamos dizer que o Fórum, assim como o Cartel, é uma resposta a um saber fazer com isso.

“Sozinho, mas não sem os outros”, o laço que se estabelece no Fórum possibilita fazer existir um trabalho coletivo a partir do um a um, uma vez que, o que causa o laço é: o singular e não o universal; a transferência de trabalho e não o ideal; consentir em perder algo do próprio gozo porque se fez responsável pela escolha de estar aí neste lugar e não porque um líder impôs uma medida igual para todos. Enfim, um laço que se faz no um a um.

marcelo-praxedes

Artista Marcio Gato | Fotografia de Marcelo Praxedes

O Fórum é um trabalho que tem início, meio e fim, pois se desenrola ao longo de aproximadamente dois anos, em um movimento contínuo de elaboração e construção coletiva. Esse percurso se conclui em um produto final: o evento em que conferências são proferidas, trabalhos são apresentados e encontros se realizam. Ao final, essa edição se dissolve. Mas sempre fica um resto, um traço do real que insiste, convoca ao trabalho e se relança em uma nova edição, em torno de um outro tema e em outra cidade.


Assim, o tema da 1ª edição foi “O que se faz, quando se faz psicanálise?”, em Belo Horizonte, de 11 a 14 de abril de 1996. A cada edição do FMP, que ocorre bianualmente, uma cidade de Minas é escolhida como ponto de encontro.

Linha do tempo das edições - FMP

Edição Local Tema
1º FMP
Belo Horizonte (11 a 14 de abril de 1996)
O que se faz, quando se faz psicanálise?
2º FMP
Uberaba (11 a 14 de junho de 1998)
Psicanálise, pra que isso?
3º FMP
Araxá (12 a 14 de agosto de 2000)
Angústia: Escuta Geraes
4º FMP
Governador Valadares (17 e 18 de maio de 2002)
A transferência
5º FMP
Belo Horizonte (4 a 6 de junho 2004)
Psicanálise: Ensino, Transmissão e Formação
6º FMP
São João del Rey (02 a 04 de junho de 2006)
A ética da psicanálise: do particular ao coletivo.
7º FMP
Lavras (06 a 08 de junho de 2008)
Psicanálise e Cultura: Atualidade do Inconsciente
8º FMP
Bom Despacho (26 a 28 de agosto de 2011)
Mal-estar na Psicanálise
9º FMP
Belo Horizonte (8 e 9 de julho de 2017)
Dificuldades da Psicanálise
10º FMP
Divinópolis (12 e 13 de julho de 2019)
Ex-tranho: a Psicanálise @s voltas com Unheimliche
11º FMP
Pouso Alegre (21 a 23 de julho de 2022)
O sujeito na massa de eus
12º FMP
Muriaé (25 a 27 de julho de 2024)
Corpos, línguas e outras escritas

Após a 8ª edição, em 2011, o Fórum Mineiro de Psicanálise permaneceu interrompido por seis anos. Sua retomada aconteceu em 2017, em Belo Horizonte, e, nesse processo de reorganização, os encontros de estudos preparatórios que circularam por várias cidades de Minas Gerais foram nomeados como pré-fóruns e, desde então, passaram a constituir parte fundamental de cada edição.

A continuidade desse movimento, entretanto, foi atravessada pela pandemia. O 11º Fórum Mineiro de Psicanálise, inicialmente previsto para julho de 2021 na cidade de Pouso Alegre, não pôde se realizar na forma planejada. Decidiu-se, então, realizar nesse ano apenas os pré-fóruns, em formato on-line. No ano seguinte, em 2022, a edição se concretizou também de forma virtual, com o tema “O sujeito na massa de Eus”, a partir do texto de Freud Psicologia das Massas e a Análise do Eu.

Em 2024, o 12º Fórum Mineiro de Psicanálise voltou à modalidade presencial na cidade de Muriaé, com o tema “Corpos, línguas e outras escritas”. Os textos de Freud As pulsões e seus destinos e Caminhos da terapia psicanalítica foram escolhidos como referências fundamentais para o encontro.

Estamos organizando o 13º Fórum Mineiro de Psicanálise. Desta vez, sua casa será Oliveira, uma cidade interiorana localizada geograficamente no centro-oeste de Minas Gerais. Esta localização privilegiada de Oliveira foi o que se destacou, quando vários viajantes – geralmente com destino para Goiás – paravam por ali, originando o seu primeiro nome: Picada de Goiás. Hoje, a cidade de Oliveira conta com aproximadamente 41.000 habitantes, além do seu distrito, Morro do Ferro.

Atualmente, esse município se destaca por  suas manifestações culturais, como o carnaval, o qual comporta o bloco “Pelo Amor de Deus” e a figura do Cai N’Água – inspirado nos mascarados do Carnaval de Veneza – batizados como patrimônio cultural; a Semana Santa; e a Festa do Rosário, também conhecida como reinado e/ou congado.

A cidade também é conhecida pela sua antiga instituição psiquiátrica, o Hospital Colônia Neuropsiquiátrico de Oliveira (HCNPO), que inicialmente abrigou muitos adultos e, posteriormente, abrigou muitas crianças até o seu fechamento, quando os internos foram transferidos para o Hospital de Barbacena.

O XIII FMP será presencial e terá como tema “Inibição, sintoma e angústia: na psicanálise e na cultura”. Como de costume, serão realizados encontros preparatórios para o grande Fórum, os Pré-fóruns, que circularão pelas cidades e instituições organizadoras. As obras escolhidas para figurar como pano de fundo deste evento são os textos de Freud “Inibição, Sintoma e Angústia (1926)” e “Análise Leiga (1926), e de Lacan “O Seminário, livro 10: a angústia” (1962/63) e “A psicanálise verdadeira e a falsa” (1966).

Assim, a Psicanálise continua a pulsar nas Gerais!

XIII Fórum Mineiro de Psicanálise
Oliveira/2026

Oliveira é um lugar de chegada. A sua história é marcada pelos que chegam e descansam. Diferentemente do que era comum nessas Minas Gerais, aqui eles não vinham procurar ouro, queriam pouso. Foi assim que nasceu a tal da Picada de Goiás, já que a localidade estava na rota dos viajantes para Goiás e eles frequentemente paravam por aqui, repousavam e seguiam. Esse primeiro nome dado a Oliveira revela como a cidade desde o início sempre recebeu os que se fazem seus. Apesar do caráter passageiro dessas paradas, algo se fundou. Os que foram, não iam mais os mesmos (quantos lá fora lembram Oliveira com carinho); os que ficam dão frutos. E, afinal, não é Freud (1916) quem nos diz que “A transitoriedade do belo não implica sua desvalorização”. Pelo contrário, aumenta o seu valor. O valor da transitoriedade é o de uma escassez no tempo”?

Foi também entre idas e vindas que Oliveira figurou na rota do Holocausto Brasileiro. O trem-dos-loucos ia e vinha, vinha e ia. Aportava aqui, deixando muitos adultos durante anos, depois, muitas crianças, durante muitos outros anos, até um dia em que veio, buscou mais de trinta crianças e levou para o Hospital de Barbacena e nunca mais trouxe loucos para cá. Ponto triste da nossa linha do tempo, mas importante de recuperar. Entre os anos de 1931 e 1974, funcionou em solo oliveirense o Hospital Colônia Neuropsiquiátrico de Oliveira (HCNPO), uma instituição de internação psiquiátrica reconhecida pelo seu maquinário de ponta.


Àquela época, Oliveira já carregava o título de cidade saúde, como divulgava o jornal local, a Gazeta de Minas – a propósito, o jornal mais antigo do estado de Minas Gerais. Isso porque antes do hospital, Oliveira sediou um sanatório tuberculoso, o que fez com que o município recebesse muitas pessoas de várias regiões em busca de tratamentos de doenças pulmonares e afins.

Fotografia de Ana Luísa Sousa

Hoje, novamente, Oliveira se destaca pelo campo da saúde, investindo em saúde pública, com diversas unidades básicas, clínicas e centros de atendimento. Não somente pela saúde, mas também a cidade de Oliveira pulsa com manifestações culturais como o bloco carnavalesco Pelo Amor de Deus, a figura do Cai N’Água, a tradicional Festa do Rosário e a Semana Santa.


A cidade também abriga o coletivo “Litoral Psicanalítico: Pesquisa e Transmissão”, que promove encontros voltados à articulação entre teoria e prática da psicanálise. Um coletivo de analistas praticantes da psicanálise de Orientação Lacaniana.


Nomeado e constituído formalmente em 2016, o grupo surge como efeito de um movimento iniciado em 2010 por alguns analistas, pelo desejo comum de continuarem com os estudos e com a transmissão da psicanálise também em seu próprio território. Durante esse tempo muitas pessoas se aproximaram dessa proposta, algumas permanecendo e outras trilhando novos caminhos.


Assim, é a partir do vínculo singular de cada integrante com a causa analítica e com o desejo de saber que essa experiência inédita nasce no território de Oliveira – MG. Como premissa, a busca de fazer “litoral”, conceito lacaniano que conjuga lugares distintos sem fazer disso homogeneização.


Seus quatro idealizadores e fundadores: Flávia Parizi Pedroso Coelho, Jaílson Salvador Silva, Maria Alice Silveira Batista, Marina Gabriela Silveira, conceberam o coletivo não como uma escola, mas como um espaço de estudo inspirado na lógica do dispositivo lacaniano de Cartel — formado pelo encontro de quatro pessoas e um desejo em torno da causa freudiana.

Um lugar que se constrói como extensão da formação, onde cada sujeito oferece algo de si, traçando, assim, um sentido de singularidade. Atualmente o coletivo conta com cinco integrantes, com a chegada de Jacqueline Pereira em 2024.

Também em Oliveira, nasceu em 2017, o Entrelugar, a partir de um desejo antigo de criar um espaço compartilhado de trabalho. Ele surgiu inicialmente com o nome Veredas e foi justamente o caminho percorrido, com suas encruzilhadas e encontros, que os levou ao que hoje chamamos de Entrelugar.

Nesse sentido, o Entrelugar é uma resposta, uma invenção criativa diante do mal-estar que atravessa o contemporâneo. Mais que um espaço físico, ele é um território simbólico e pulsante, que enlaça saberes, culturas e ofícios diversos. Orientado pela ética da psicanálise, propõe uma construção coletiva e transdisciplinar, onde a escuta e a criação caminham juntas.

Não se trata apenas de um coworking, é um lugar marcado tanto por encontros marcados quanto por encontros ao acaso, onde surgem soluções e serviços voltados a sujeitos e coletivos. Suas intervenções acontecem no setting clínico, mas se expandem para além dele, alcançando os diversos espaços da cidade, reafirmando o compromisso com o território, com a circulação, com o encontro e com a escuta nos múltiplos contextos que compõem a vida em Oliveira.

Desde 2019, em ocasião da 10ª edição que foi sediada em Divinópolis / MG, o coletivo Litoral Psicanalítico e o Entrelugar participam da organização  do Fórum Mineiro de Psicanálise. Essa menção é importante, pois é a transferência de trabalho desses coletivos com o Fórum que possibilita que  Oliveira-MG seja a sede da 13ª edição do evento.  

Diante dessa linha temporal, nos deparamos com dois textos de Freud que completam 100 anos: “Inibição, Sintoma e Angústia” (1926) e “A questão da Análise Leiga: diálogo com um interlocutor imparcial” (1926), escritas estas que nos convidam a conversarmos sobre a clínica, a formação e cultura, três eixos que se atravessam.

Argumento e Eixos Temáticos

No momento de acontecer o XIII Fórum Mineiro de Psicanálise em 2026, ambos os textos escolhidos como norteadores, “Inibição , sintoma e angústia” e “A questão da análise leiga: diálogo com um interlocutor imparcial”, estarão completando 100 anos, um marco que o Fórum celebra e convoca psicanalistas e interessados na Psicanálise à elaboração, questionamentos e transmissão provocando trocas e diálogos sobre a Psicanálise que atravessam a cultura e subjetividade de nossa época.

Em “Inibição, Sintoma e Angústia”, Freud (1926/2014) nos convida a um novo olhar sobre a teoria da angústia, que antes era pensada no campo do recalque, de uma libido acumulada, de uma energia que se transforma em angústia. Ao modificar esse entendimento, realizando um enlaçamento com as inibições e sintomas, Freud nos apresenta a angústia como um sinal diante de um perigo. Freud ainda considera que a inibição tem um papel especial de restrição, limitação das funções e na dinâmica das relações sem necessariamente ser patológica, deixando essa característica a cargo do sintoma, cuja economia de formação de compromisso, em sua relação com o eu,  se encarrega de uma satisfação pulsional. 

No “Seminário X” de Lacan (1962-1963/2005), a angústia é distinguida entre os afetos como um afeto que não engana, sinalizando algo do  real.

No texto “A questão da análise leiga: diálogo com um interlocutor imparcial”, Freud (1926/2014) traz à tona questionamentos que continuam muito presentes na atualidade. Em uma conversa imaginária, ele perpassa desde a particularidade da práxis de um psicanalista, diferenciado-a da formação médica (essa que fora sua formação inicial), colocando-a como uma “experiência subjetiva, singular e que implica uma ética peculiar.” Demonstra aqui grande preocupação em relação à subordinação da Psicanálise a alguma ordem ou instituição, cujo intuito fosse uma padronização da formação. Neste ponto, também Lacan segue a mesma trilha, colocando a Psicanálise no avesso à qualquer tipo de regulamentação, seja do ponto de vista da formação como de sua práxis. 

No XIII Fórum Mineiro de Psicanálise, que acontecerá na cidade de Oliveira-MG, o tema escolhido foi “Inibição, sintoma e angústia: na psicanálise e na cultura”. A proposta parte do desejo de sustentar coletivamente uma escuta atenta aos impasses contemporâneos, articulando a clínica psicanalítica com os efeitos culturais e sociais que atravessam a subjetividade na atualidade.

Na Psicanálise, os termos “inibição”, “sintoma” e “angústia” não são apenas categorias diagnósticas ou descritivas; são operadores conceituais  nodais que apontam para o modo como o sujeito se estrutura diante  da falta e do gozo, do desejo. Em Freud, esses conceitos já aparecem articulados, mas é com Lacan que ganham releitura mais complexa, indicando registros distintos da experiência subjetiva e diferentes formas de amarração do real. Quando se propõe pensá-los “na psicanálise e na cultura”, abre-se o campo para interrogar não apenas o sujeito em sua singularidade, mas, também, os modos pelos quais o mal-estar se inscreve nos laços sociais contemporâneos e os tratamentos que o mercado oferece. 

O desafio nos dias de hoje é articular essas questões para além da prática do consultório,  permitindo um olhar clínico sobre os impasses da cultura. Como pensar a inibição diante das promessas de produtividade infinita? Que tipo de sintoma o sujeito contemporâneo constrói frente à queda dos ideais? E o que a angústia nos diz quando se torna uma experiência compartilhada nos corpos medicados, nos silêncios gritantes, nas violências absurdas que se repetem? 

Essas e outras questões vão circular nesse movimento, pois, falar de inibição, sintoma e angústia na Psicanálise e na Cultura é sustentar o gesto clínico no coletivo, mantendo viva a aposta na presença do sujeito.

Assim, o Fórum Mineiro como espaço de interlocução, construção e diálogo propõe o entrelaçamento de 3 Eixos Temáticos:

CLÍNICA
Tomada como uma práxis da teoria, em que chegam as diversas formas de sintomas do sujeito, a clínica tem como bússola o sinal da angústia; não somente do afeto mas paradoxalmente como um sinal do desejo do Outro. Como escutar isso nos dias de hoje? Como as inibições, sintomas e angústias aparecem no corpo e nos modos de gozo? O que fazemos com aquilo que escapa à simbolização? Esse eixo nos traz a oportunidade de formalizar, construir e expor a clínica psicanalítica exercida no século XXI. Finalmente, como os psicanalistas podem, no que é possível, simbolizar, através de suas produções, os trabalhos de elaboração e ato da escuta ao outro.
FORMAÇÃO DO PSICANALISTA
Refere-se a um percurso ético e não normativo. Sustenta-se no tripé: análise pessoal, estudo e supervisão. Um processo contínuo e sem garantias de que daí advenha um analista. Desde Freud, a questão da formação do analista é colocada concomitantemente com a discussão sobre a análise leiga. No contexto atual, deparamo-nos com o movimento crescente de promessas de formação analítica por meio de ofertas de “cursos de formação”, graduação em Psicanálise, e a busca persistente por regulamentar a psicanálise; a partir daí, ofertar diplomas e certificados como uma suposta garantia de formação psicanalítica. Tudo isso em nome de uma ideia de “democratização” da psicanálise e de uma confusão que se faz entre Ofício do psicanalista e o exercício de uma profissão regulamentada. Nesse sentido, a questão da formação do psicanalista ainda nos convoca a uma tomada de posição e trabalho em torno desse tema.
CULTURA
A psicanálise escuta além do consultório: ela dá ouvidos aos sintomas da cultura, às novas formas de mal-estar, às reinvenções da linguagem, aos efeitos da técnica, às mutações dos laços sociais. O que Freud chamava de “Cultura/Civilização” é o campo onde se inscrevem os discursos que atravessam o sujeito e onde se produzem, também, as modalidades de gozo, os tamponamentos da falta e o silenciamento do desejo. A cultura atual nos convoca a pensar o lugar da Psicanálise diante das questões interseccionais das formas contemporâneas de sofrimento, da medicalização excessiva, da sociedade do espetáculo, da performance e do consumo. Pensar a Psicanálise na cultura é sustentar sua função de deslocamento, de furo, de corte no saber estabelecido e dominante

Convidamos, assim, aqueles que são tocados por essas questões a submeter seu trabalho em diálogo com esses três eixos, criando pontos de tangência, cortes e costuras. A clínica está na cultura, a formação atravessa ambos e o Fórum Mineiro de Psicanálise os acolhe e se torna lugar de escuta, entrelaçamento e invenção. Vem com a gente, no jeitinho mineiro, prosear e fazer Psicanálise!

TEXTOS DE ORIENTAÇÃO
● Freud, Sigmund. Inibição, Sintoma e Angústia. In: Obras completas: volume 17 – O futuro de uma ilusão e outros textos (1926-1929). São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

● Freud, Sigmund. A questão da Análise Leiga: diálogo com um interlocutor imparcial. In: Obras completas: volume 17 – O futuro de uma ilusão e outros textos (1926-1929). São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

● Lacan, Jacques. O seminário, livro 10: A angústia (1962-1963). Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

● Lacan, Jacques. A psicanálise verdadeira, e a falsa. In Outros escritos (1958). Rio de Janeiro: Zahar, 2003.

A obra apresentada em assembleia para apreciação das comissões organizadoras do FMP/2026, foi desenvolvida pela artista Marcella Sampaio que se inspirou em elementos relacionados à cidade de Oliveira, estes representam visualmente o município e dialogam com a proposta do Fórum.

Utilizando aquarela, uma técnica singela que remonta aos tempos do Renascimento, uma abordagem antiga, mas que ainda é muito atual, transformou imagens em emoção líquida através da delicadeza das cores e fluidez dos traços e sentimentos que a pintura transmite.


Obra de Marcella Sampaio

Cada elemento traduz o que é da história, se conectando a grandiosidade do evento, quando faz sutilmente referência ao antigo Hospital Colônia de Neuropsiquiatria Infantil, dentro de uma das bolhas de sabão, revelando o rompimento histórico com o passado doloroso, ressignificando o ambiente que hoje é a Escola Estadual Mário Campos e Silva.

Podemos contemplar elementos centrais, de forte representatividade cultural da cidade:

A esquerda com trajes amarelos o Cai N’água, figura misteriosa, de caráter lúdico e cheio de vida, soprando as bolhas de sabão que flutuam.

A direita representada o Congado e suas raízes, o negro com tambor e baqueta na mão com cordão que se arrebenta, fazendo alusão ao distanciamento do passado.

Nas mesmas figuras numa perspectiva de simbologia potente através do “ Facelles Art” ou “Arte sem rosto” permite que o espectador projete suas próprias emoções e interpretações tornando a obra aberta a diferentes significados.

O coqueiro e a árvore que antes faziam parte da paisagem de Oliveira estão inseridos nas diferentes camadas da simbologia histórica conectando elementos. Suas raízes longas e profundas envolvem a base da obra, trazendo um significado mais íntimo e simbólico, como se guardassem a memória viva da cidade e de seu povo.

A obra, portanto, vai além da representação estética — ela é um convite ao olhar sensível, à escuta do passado e à construção de novos sentidos. Ao unir memória, cultura e arte em uma mesma composição, Marcella Sampaio oferece ao Fórum Mineiro de Psicanálise/2026 uma imagem que não apenas ilustra, mas que emociona, provoca e ressignifica.

É uma pintura que não se limita ao papel: pulsa, respira e se transforma junto ao olhar de cada pessoa que a contempla.


Texto de Luciana Nascimento

Convidados

Douglas Barros

Pós-doutorando em filosofia política na USP, doutor em ética e filosofia política na Unifesp. Psicanalista e atualmente membro pesquisador de Implicações das Tecnologias Digitais nos Sistemas de Saúde/ Iniciativa de Prospecção Estratégica Saúde Amanhã/ Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030.  Ensaísta, colunista  na Boitempo.

Autor dos livros “Lugar de negro,lugar de branco? Esboço para uma crítica à metafísica racial”, “Hegel e o sentido do político” e “O que é identitarismo?”.

Gabriel Tupinambá

Formado em Belas Artes (Central Saint Martins). É mestre e doutor em Filosofia (European Graduate School). Fez pós-doc em História Social da Cultura na PUC-Rio e em Filosofia na UFRJ. Foi coordenador do coletivo Círculo de Estudos da Ideia e da Ideologia e do Instituto de Outros Estudos. Hoje integra o Subset of Theoretical Practice, um coletivo autônomo internacional onde pesquisa-se a relação entre economia política, teoria da organização coletiva e recentes inovações na filosofia e nas matemáticas. Trabalha como psicanalista no Rio de Janeiro. E, em psicanálise, sua pesquisa foca na epistemologia da psicanálise lacaniana e em suas relações com a ciência e a política.

Lourdinha Pinheiro

Psicóloga formada pela UFMG e psicanalista pelo Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, onde realizou sua formação inicial a partir de 1970. Mantém consultório desde 1971 e construiu sua trajetória clínica e institucional com forte dedicação ao trabalho com crianças e adolescentes, atuando na Fazenda do Rosário entre 1972 e 1974 e, posteriormente, na FEBEM até 1978. De 1980 a 1992, integrou o Centro Psicoterapêutico Hospital Dia. No intervalo de 12 anos entre seus dois momentos no CPMG, participou da fundação do GREP (Grupo de Estudos Psicanalíticos), onde permaneceu exercendo diversas funções e contribuindo diretamente para a formação de psicanalistas. Retornou ao Círculo Psicanalítico de Minas Gerais em 2002. Embora atenda também adultos, mantém como eixo central de estudo e prática clínica a infância e a adolescência, com interesse ampliado, nos últimos anos, para o campo dos bebês.

Marco Antônio Coutinho Jorge

Professor Associado do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Procientista da UERJ. Médico psiquiatra. Doutor em Comunicação e Cultura. Psicanalista fundador e Diretor do Corpo Freudiano Escola de Psicanálise Seção Rio de Janeiro. Membro da Associação de Psicanálise Insistance (Paris/Bruxelas). Membro da Sociedade Internacional de História da Psiquiatria e da Psicanálise (Paris). Membro da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro. Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria. Autor de diversas obras e artigos publicados no Brasil, Argentina, Canadá, Colômbia, França, Itália e México. Profere conferências e seminários em diversas cidades do Brasil e do exterior, sobre os conceitos fundamentais da teoria e da clínica psicanalítica, a conexão arte/psicanálise e a formação do psicanalista. Traduziu para o português as seguintes obras de Jacques Lacan: Os complexos familiares e Da psicose paranoica em suas relações com a personalidade. Diretor científico de coleções de psicanálise.

Marília Pires Botelho

Psicanalista, membro da Ato-escola de psicanálise.

Renata Mendonça

Psicanalista EBP/AMP, mestre pela PUC Minas, doutoranda pela UFMG, coordenadora do Ateliê de Pesquisa em Psicanálise e Segregação, Membro do Coletivo Ocupação Minas Gerais.

Thereza Christina Bruzzi

Psicanalista, membro da Escola Freudiana de Belo Horizonte/iepsi. Além da atividade clínica, ocupa-se da transmissão da psicanálise na EFBH/iepsi, onde coordena o seminário “Adolescência, despertar” e o “Espaço/iepsi: estudos sobre a criança, adolescência e família”. Participa de grupos de estudo e cartéis, tem artigos publicados em livros e revistas de psicanálise, é autora e organizadora do livro “Entre atos e laços: adolescência e psicanálise” (Edição dos Autores) e autora do livro “Adolescência, desdobramentos” (Instituto Langage).

Vanessa Campos Santoro

Psicóloga, psicanalista do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, onde exerceu diversos cargos. Há 30 anos, foi uma das idealizadoras do Fórum Mineiro, quando era presidente do CPMG, sempre engajada na transmissão da psicanálise.  Participou ativamente da realização  dos primeiros Fóruns em diversas épocas e cidades. Atualmente é uma das organizadoras da Jornada de Psicanálise do CPMG e coordenadora de seminários de formação.

Comissões Organizadoras

Coordenação

Marina Gabriela Silveira (mais-um)
Bárbara Guatimosim
Edwani Pereira
Flávia Parizi
Gisele Scarpone Salem
Hugo Valente
Jacqueline Pereira
Jailson Silva
Maria Alice SIlveira Batista

Científica

Flávia Parizi (mais-um)
Ana Paula Silva Maia
Bárbara Guatimosim
Celina Gibram
Edson Santos
Jacqueline Pereira
Jander Pereira
Janilton Gabriel de Souza 
Magali Milene Silva
Marília Alvarenga
Natalino Silva
Roberta Ecleide
Scheherazade Paes de Abreu
Silvana Mancini
Thereza Ramos
Vanessa Borges de Oliveira

Comunicação

Gabriela Costa (mais-um)
Beatriz Fonseca
Juliana Marçal
Luciana Nascimento
Marcella Sampaio
Marina Silveira
Natalino Oliveira
Pietra Müller
Tereza Ramos

Curadoria

Marcella Sampaio (mais-um)
Andrea Libanio
Flavia Parizi
Marina de Oliveira Reis
Monica Darrigrand
Regina Pachêco
Vanessa Gama Pozzato

Pré-Fóruns

Jailson Silva (mais-um)
Ana Cláudia Calixto
Ana Paula Maia
Bárbara Guatimosim
⁠Celina Gibram
⁠Gisele Salem
⁠Hugo Valente
⁠Igor Cerri
⁠Jaider Lima
⁠Janaina Pereira
Regina Pachêco
Rodrigo Martins
Sávio Theodoro
Tereza Ramos

Infraestrutura e Logística

Vanessa Borges de Oliveira (mais-um)
Anelise da Mata Pires
Beatriz Fonseca Castro
Edwani Pereira
Flávia Parizi
Maria Alice Silveira Batista

Tesouraria

Maria Alice Silveira Batista (mais-um)
Janaína Silveira

Movimentos Organizadores

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